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Saturday, May 19, 2012

Nuno Castelo Branco na Sagres, em Banguecoque


O Nuno, meu irmão, oferece o seu contributo à visita do navio escola Sagres a Banguecoque, prevista para a primeira quinzena de Outubro. Contactou com o nosso embaixador na Tailânda, António de Faria e Maya, oferecendo três telas a óleo alusivas a três navios da Marinha Portuguesa que noutros tempos e circunstâncias tocaram a "Veneza do Oriente", respectivamente o brigue São João Baptista, que levou a missão encabeçada por Carlos Manuel da Silveira, em Julho de 1820, a canhoneira Tejo, que ali esteve em 1890 tendo como comandante Venceslau de Morais e a canhoneira Bengo, que aportou em frente do nosso Consulado durante a crise franco-siamesa de 1893. As imagens foram elaboradas a partir de investigação feita nos Arquivos da Marinha e são, que eu saiba, a primeira contribuição de um artista português para as celebrações dos 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia que se iniciam oficialmente com a visita da Sagres. O Nuno prepara para finais de 2011 uma exposição em Banguecoque, inteiramente consagrada ao encontro das duas culturas.



Clara, a primeira siamesa diplomata


Chamava-se Clara Xavier, ou antes, menina de Phipat Kosa, filha de Celestino Maria Xavier, aliás Phraya Phipat Kosa, secretário de Estado sob Rama V, fundador e administrador da empresa que instalou os eléctricos em Banguecoque no início do século XX e, depois, embaixador do Sião em Roma e representante do reino do Elefante Branco na Sociedade das Nações. Clara partiu de Banguecoque para Londres, onde cursou enfermagem no South London Hospital for Women. Ao receber o diploma, foi requisitada pelo seu pai e foi secretária da legação siamesa em Genebra. Tantos feitos numa só rapariga vinda do outro canto do planeta. Siamesa católica, falando fluentemente português, esta nossa Clara foi modelo para o tímido movimento que no Sião reclamava a igualdade jurídica entre homens e mulheres. Há tanto por contar a respeito dos portugueses !

The Portuguese-Siamese Treaty of 1820


Chegaram-me ontem às mãos os primeiros exemplares de um pequeno trabalho de minha autoria que se publica por ocasião do início formal das comemorações dos 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia, efeméride que ao longo do ano será lembrada em Lisboa e Banguecoque pelos governos dos dois países. Publicado pelo Instituto do Oriente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, exibindo a chancela do Ministério dos Negócios Estrangeiros/Missão Comemorações Ásia, conta com introdução do Professor António Vasconcelos de Saldanha, o mais respeitado dos académicos portugueses em estudos sobre as relações luso-asiáticas no período contemporâneo.

Não quero fazer de juiz em causa própria. A outros caberá ler e criticar a perspectiva oferecida, mas penso que este livro abre uma frente "revisionista" na abordagem do lugar pioneiro de Portugal na implantação do modelo de negociação e redacção de tratados com potências do Sudeste-Asiático.

Dizia há tempos o Primeiro-Ministro que a cada português cabe, neste momento grave, arregaçar mangas e fazer o que puder pelo país. Ora, como funcionário do Estado, limitei-me a cumprir o meu dever. A este livro, outro - volumoso e exaustivo - se seguirá, talvez ainda no decurso do ano que corre. Tratará das relações luso-tailandesas entre 1782 e 1939 e terá por título The Portuguese-Siamese Relations in Rattanakosin Period, produto da investigação de três anos que realizei em Banguecoque com bolsa em boa hora concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Na capa que ofereço à vossa apreciação, uma bela ilustração miniatural de autoria do meu irmão Nuno. Todo este trabalho correu sem honorários para qualquer dos intervenientes, provando que as pessoas também agem motivadas pelo interesse nacional quando se lhes incute a defesa das nossas coisas, do nosso nome e do nosso orgulho. Publicado em inglês, servirá para esclarecer e revelar aos investigadores e interessados a riqueza do manancial documental português sobre a Ásia, contribuindo para acabar de vez com a invisibilidade de Portugal nesta área de estudos.