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Saturday, May 19, 2012

Palácio de Belém falha protocolo?


No próximo dia 21 de Fevereiro, será inaugurado o monumento Sala Thai, excepcional honra concedida a Portugal pelo Reino da Tailândia. No âmbito da celebração dos 500 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, a Casa Real tailandesa será representada ao mais alto nível pela Princesa Maha Chakri Sirindhorn que no protocolo daquele Estado, substitui Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej.
As relações de Portugal com aquela potência asiática, situadas no quadro da viragem da política mundial que se vai centrando no âmbito das margens do Pacífico, revestem-se hoje de uma extrema importância, facto que o Palácio de Belém não poderá ignorar. Seria desejável a máxima representação do Estado naquela cerimónia que dentro de poucos dias decorrerá em Belém, mas existem informações absolutamente fidedignas acerca de mais uma não-presença presidencial naquele acto. A Chefia do Estado é antes do mais representativa e protocolar, assim se entendendo o seu alegado caracter supra-partidário e simbólico. Embora reconhecendo-se a quimera deste distanciamento numa forma de representação republicana cujos limites são bem conhecidos, a Presidência da República deveria esforçar-se por entender o peso de uma história que conta perto de um milénio. Marcando sempre posição em qualquer reunião empresarial ou do restrito mundo da plutocracia de elite, a Presidência da República tem ignominiosamente descurado os seus deveres protocolares, precisamente aqueles que não se compadecem com crises económicas ou apetites de sector, seja este político ou financeiro.
Sabemos que o Ministério dos Negócios Estrangeiros procedeu a diligências no sentido de proporcionar a máxima dignidade ao acto. Quando do planeamento da visita da Princesa Sirindhorn, causa estranheza não ter sido prevista uma visita real à iniciativa mais relevante no âmbito das comemorações do V Centenário. Encontrando-se patente na Biblioteca Nacional de Lisboa a importante exposição documental alusiva às relações entre Portugal e a Tailândia, o Estado deveria ter incluído uma visita à mesma.
O Portugal de sempre estará representado nesta excepcional honra que o Reino da Tailândia presta ao seu mais antigo aliado europeu. Na pessoa de S.A.R. o Duque de Bragança, o sucessor do Rei D. Manuel I que há cinco séculos com o Rei Ramathiboti II iniciou as relações luso-siamesas, o nosso país em Belém terá o seu representante legítimo e livre de peias, temores ou más disposições de circunstância.

Miguel Castelo-Branco

Hoje, Lisboa foi tailandesa. สมเด็จพระเทพรัตนราชสุดา ณ กรุงลิสบอน ประเทศโปรตุเกส



No quadro das celebrações dos 500 anos de relações luso-tailandesas, foi esta tarde finalmente inaugurada a Sala Thai, oferta do governo tailandês ao povo português. Em cerimónia que contou com a presença da Princesa Maha Chakri Sirindhorn, de SAR do Senhor Dom Duarte de Bragança, do Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, Surapong Tovichakchaikul, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da mulher do Chefe de Estado, Maria Cavaco Silva, o pavilhão em teca dourada, agora brilhando no Jardim Vasco da Gama, foi objecto de grande interesse por parte de muitos milhares de lisboetas que se juntaram às festividades.

สมเด็จพระเทพรัตนราชสุดา ทรงเป็นประธานในพิธีการเปิดศาลาไทย ณ กรุงลิสบอน ประเทศโปรตุเกส


SAR o Senhor Dom Duarte, descendente dos Reis que construíram e animaram as relações entre a Coroa portuguesa e o velho reino do Sião, foi recebido pelo Chefe do Protocolo de Estado, Embaixador Bouza Serrano e pelo Embaixador Carlos Pais, responsável no MNE pela "Comissão Celebrações Ásia". Em conversa com SAR, agora regressado de Macau e Timor, falou-se na possibilidade de, em ocasião a agendar, a família real portuguesa visitar a Tailândia e ali testemunhar a perdurabilidade e profundidade da estima de que goza o nome de Portugal, a "potência histórica" por excelência, segundo o conceito do Professor Vasconcelos de Saldanha. SAR trocou impressões com a Princesa Sirindhorn e exprimiu votos de boas-vindas e cumprimentos a SM o Rei da Tailândia.

ดองดูอารติ ดีอ บารการซาร์ ว่าที่กษัตริย์ประเทศโปรตุเกส มีความสนใจในความสัมพันธ์ระหว่างไทย และ โปรตุเกส

Na intervenção que proferiu, a Princesa Sirindhorn pôs em evidência a antiguidade da aliança entre a monarquia thai e o povo português, destacando nessas relações a importância que nela tiveram os portugueses que lutaram nas fileiras dos exércitos siameses, afirmando que tal aliança modelar não deve ser encarada como mero testemunho memorial,mas como incentivo para o aprofundamento para novas parcerias. A cerimónia foi singela mas digna e revelou a naturalidade quase familiar, sem apertos protocolares excessivos, desta velha e nunca derrogada aliança entre dois antigos Estados que nos respectivos quadros geopolíticos deram mostras de notável capacidade de resistência e sobrevivência aos maiores desafios.
Uma pequena nota critica marginal. O cerimonial de Estado perdeu o savoir-faire de outros tempos. Faltou a Guarda Municipal, faltou a GNR e uma banda que executasse os hinos dos dois países, faltou disciplina aos convidados, como se notou claro descontrolo dos organizadores para domar os impulsos da gente da tenda.
Uma pequena nota elogiosa marginal. O povo de Lisboa comportou-se com grande serenidade e civismo, respeitou a cerimónia e respeitou a ilustre visitante.

สมเด็จพระเทพรัตนราชสุดา ทรงกล่าวคำชื่นชมและการจัดงานครบรอบ 500ปี ความสัมพันธ์ไทย และโปรตุเกส


Tive oportunidade de reencontrar velhos amigos tailandeses, bem como de rever os nossos antigos embaixadores Maria da Piedade e António de Faria e Maia, o nosso actual embaixador, Jorge Torres Pereira e o Embaixador Mello Gouveia, que ao longo dos últimos meses tem sido incansável conselheiro  e amigo em tudo o que se relacione com a exposição "Das Partes do Sião", patente na Biblioteca Nacional de Portugal. Infelizmente, a exposição não foi integrada no plano da visita, facto que mereceu algum desapontamento por parte das autoridades portuguesas, pois tratando-se da maior mostra documental jamais reunida sobre as relações, teria certamente cativado a atenção da Princesa Sirindhorn. Um catálogo da exposição foi entregue à Princesa Sirindhorn, que se mostrou vivamente interessada.


Entre a multidão destacava-se larga representação da comunidade tailandesa residente em Portugal, talvez umas duzentas pessoas, ostentando bandeiras reais e fotografias de SM o Rei. Flores e mostras de carinho e lealdade foram de tal maneira expressivas que de imediato a imprensa presente se alheou dos convidados para fixar as objectivas em tão comoventes manifestações de patriotismo.




Um dia em tudo diferente da modorra da crise maníaco-depressiva em que vive Portugal neste início de milénio; um incentivo para quantos, amarrados à fatalidade de um Estado exíguo, devem voltar a olhar o papel de Portugal no mundo.

No que às celebrações concerne, a próxima manifestação realiza-se em Bangkok no início de Março: o simpósio internacional sobre a história das relações entre Portugal e a Tailândia, organização conjunta do Instituto do Oriente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Chulalongkorn. Participarão dez académicos portugueses e número igual de investigadores tailandeses, esperando-se que as actas sejam oportunamente publicadas.

คนไทยที่อาศัยอยู่ที่ประเทศโปรตุเกสได้ไปเข้าเฝ้าสมเด็จพระเทพรัตนราชสุดาด้วยความดีใจ